Será que o amor de Simone por Algren sobreviveria enquanto existência? Acho que não.
A relação de Simone com Sartre sempre foi e continua sendo, até pela comemoração do centenário de nascimento, objeto de discussão no meio literário e não deixou de chamar a atenção de alguns presentes no evento. Teve um senhor que se levantou protestando enquanto Marina comentava essa primeira carta, “vocês não entendem nada, eles tinham uma relação aberta!” Indo embora enfurecido. É verdade que o casal existencialista vivia uma relação aberta e que as cartas chegam a mencionar uma amizade entre Sartre e Algren. Tudo indica que Sartre sabia da relação de Simone com Algren, mas que isso não o afetava. Uma senhora presente no evento chegou a recordar uma história engraçada contada na Academia Brasileira de Letras, sobre a visita de Sartre e Simone ao Brasil, quando foram recepcionados por Jorge Amado e Zélia Gatai. A senhora dizia que enquanto os dois casais estavam hospedados num mesmo hotel, em apartamentos separados, mas próximos, era impossível dormir por conta do barulho e da algazarra que Sartre fazia com Simone por toda a madrugada, que deixava Jorge e Zélia espantados. Ficava no ar se eles tinham uma vida sexual intensa ou sérias discussões que beiravam à agressão “entre quatro paredes”,
Enfim, chegamos num momento do debate onde já estávamos nos indagando se Simone e Sartre tinham ou não uma vida sexual (vejam só até onde viajamos!) Cheguei a ouvir um pouco atrás de mim uma expressão mais dura sobre os dois “um corno e uma piranha”. Do meu ponto de vista, acho que Simone revelava diferentes formas de amar: com Algren, Simone compartilhava um amor do tipo “eros", mais relacionado à atração física e paixão. Com Sartre, o do tipo “estorge” (baseado na amizade e nos princípios). Mas é fato que Simone dedicou a Sartre toda uma vida e sustentou uma reputação à sombra desse intelectual consagrado. (e eu me lembro bem de uma senhora que se levantou quase da última fileira para dizer isso, peitando a Marina Colasanti)
A essa altura do campeonato, ficou claro pra mim que Marina Colasanti defendia a Simone que aparecia nas cartas. Ela dizia algo do tipo “é um testemunho escrito” é preto no branco e a verdadeira mulher estava naquelas longas linhas de um amor repleto de ternas expressões de carinho e afeto. Isso me incomodou, afinal de contas Simone sabia que vivia uma grande contradição, se questionava sobre isso e temia ser cobrada por Algren exatamente aí, segue mais um trecho
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