quinta-feira, 14 de julho de 2011
Som de Poeira
O vento trouxe poeira selando olhos e baixando o escuro. Segui minha distinta cadência caminhando solo. À direita bola bole tão forte que dá vontade de olhar. À esquerda um muro distante cerca de três metros com gritaria de criançada vinda do outro lado encorajando minha brincadeira. As partes por aqui tem o começo de asfalto o meio de paralelepípedo o fim de terra e são pouco conhecidas. Chinelos de couro e de borracha salto alto tênis e pé puro ao meu redor impõe rubatos e prestíssimos. Uma bicicleta que desceu em disparada grita lá embaixo. Um carro estacionando e uma rapasiada queimando um mais na frente improvisam. Alguém que não identifico me dá bom dia num tom misto de estranhesa preocupação e curiosidade. Uma meia dúzia de folhas tagarelas rastejantes alçam vôo e pousam sobre meus ombros e cabeça. E tome marteladas e lixa comendo solta mais adiante na casa do papagaio que está em silêncio esperando minha pergunta. Mudei a frase, ele calado. Repeti a nova frese e ele balançou oriçado. Mandei de novo o desafio e ele acertou a primeira nota. Uma topada leve e recebo apoio da mão quente seca trêmula cheirando cana. Abraçei e agradeci. Distante do louro continuo a tenteção e ele acerta quase tudo. A brincadeira tá esquentando. A mão trêmula desenrola sobre o jogo de ontem enquanto cumprimenta a vizinhança os animais e a vegetação. Parei no sol. No stereo tem água doce e salgada. Se abrir os olhos agora vou perder todo esse prazer de combinar realidade com invenção.
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