...uma vegana muito especial veio até aqui para o lanche. Não tínhamos muita coisa.. exceto o bolo da boa sorte. A ferradura que veio dentro, junto com todo o fermento embutido me fez pensar em cozinhar um bolo ao banho de mel.. o bolo divino como aqueles destinados para afrodite..o bolo não solou mas a liga ficou ótima.. desenformar foi difícil.. algo ficou grudado no fundo. Não tem prolema: - a forma não é minha e difícil mesmo foi para esta minha amiga sentir o gosto amargo de mel queimado. O filme onde Danton aparece para zuar o próprio Selton em seu filme rendeu algumas gargalhadas, mas também um pouco de choro.. Há uma semana da prova estou acreditando mesmo na minha capacidade de vencer desafios lógicos. É claro que não irei me desfazer da minha Remington ano sei lá o que: - se eu consegui reaver a máquina de datilografar e um microsystem, significa que a amizade reina daqui p´ra aqui e de lá pra cá.;?
Enfim, dois anos depois retomo o texto.. é a festa Junina na Pça Afonso pena que fez-me pensar que ao som da trilha sonora original do filme "as bruxas de Estwick"... o embaraço de Simone de Beauvoir fez com que Sartre reencontra-se novamente a garota com os cabelos recobertos de calda de cereja, daquelas que são levemente cozidas com açúcar para o deleite das mais gostosas maçãs-do-amor... na volta para casa, ela disse que me achava bonito.. e não quis acreditar que com a minha lerda lordose de sono acumulado poderia fazer com que sua irmã falasse que gostava de nos ver juntos, exceto pelo meu tabagismo, aqui jaz incorporado novamente, na Tijuca, a "Síndrome de Noel"... obrigado caro Barroso, você foi um verdadeiro "amigo-da-onça".
domingo, 20 de novembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
a lojinha de exposições
Havia um sujeito que tinha, a muito custo, juntado dinheiro para comprar uma pequena lojinha num lado pobre do centro da cidade. Como grande apreciador das artes plásticas, decidiu que um dia teria um espaço só seu para expor algumas obras de artistas em início de carreira. E assim se deu, mas o espaço que seu salário de funcionário público lhe permitiu alugar era pequeno demais. Decidiu então que isso não seria impedimento para seu sonho se realizar. Passou semanas tentando pensar numa solução, até que finalmente decidiu. Exibiria uma obra por vez, no centro da sala, que era perfeitamente quadrada. Ligou para um amigo seu e pediu emprestada uma de suas esculturas abstratas. Comprou um pedestal de segunda mão e colocou a peça sobre ele, bem no meio da sala. Sentou num canto e ficou olhando fixo para aquilo. Não se sentiu seguro de expor daquele jeito, não sabia se era pela peça ou pelo lugar que ela ocupava, ou mesmo por qualquer outro motivo, simplesmente não achou que estava bom o suficiente. Resolveu experimentar. Saiu e comprou uma peça velha num antiquário próximo. Colocou sobre o pedestal e retomou seu ritual de contemplação, desta vez era o pedestal que não lhe agradava. Saiu novamente para comprar outro tipo, um mais discreto, com perfil mais fino. Montou a coisa no meio da sala e pronto. De novo, não lhe agradou. Achou que pudesse ser efeito da iluminação e em razão disso passou quase um mês experimentando novas lâmpadas e cores da parede. Não era nada daquilo. Resolveu que o problema era a obra, que quando encontrasse a peça certa tudo se encaixaria. Ligou para outro conhecido, colocou sua peça no meio da sala e nada. E a coisa seguiu assim, mês após mês. Enquanto isso, as peças que já haviam sido testadas ficavam largadas nos cantos, já quase não havia espaço para circular. E ele foi cansando. Já abria muito esporadicamente seu espaço para novas experimentações. Ninguém, senão ele, havia pisado lá dentro. Nenhuma obra havia sido exposta. Seu salário ia quase todo para manter aquilo, aquela idéia já começava a perder o sentido. Um dia, ao visitar a loja para recolher as contas que o carteiro jogava por debaixo da porta de ferro, resolveu se sentar, com as costas apoiadas no pedestal que se encontrava já bem empoeirado no centro da sala. Pelas paredes, amontoados de peças de artista conhecidos dele, outro tanto de peças que comprara em brechós e similares. Já quase não se via parede. A porta de vidro que dava pra rua de repente se fechou, empurrada por uma súbita rajada de vento, típica do centro da cidade. O sol que entrava de frente e batia no seu rosto, começou a refletir sua imagem do lado de dentro da porta. Hipnotizado pela imagem de si, contraposta ao muro do outro lado da travessa, com todos aqueles objetos ao seu redor, ele se levantou, tirou a poeira da bunda calça e fez uma faxina geral, tirando o pó de tudo, mas deixando tudo no mesmo lugar. A exposição estava pronta. Finalmente descobrira. O centro da sala não era pra expor, mas pra circular. Enviou os convites para a semana seguinte. Quase ninguém veio, quase ninguém vinha. De tempos em tempos ele se sentava no meio da sala, fechava a porta de vidro e se observava no reflexo que sempre se desenhava do lado de dentro. Seu salário nunca aumentou e a, agora, sala de exposições, nunca mais fechou. Ele também nunca se ressentiu. Assim foi, até o fim de sua vida. Quando ali, naquele mesmo lugar, passou a funcionar uma lojinha de um e noventa e nove.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Som de Poeira
O vento trouxe poeira selando olhos e baixando o escuro. Segui minha distinta cadência caminhando solo. À direita bola bole tão forte que dá vontade de olhar. À esquerda um muro distante cerca de três metros com gritaria de criançada vinda do outro lado encorajando minha brincadeira. As partes por aqui tem o começo de asfalto o meio de paralelepípedo o fim de terra e são pouco conhecidas. Chinelos de couro e de borracha salto alto tênis e pé puro ao meu redor impõe rubatos e prestíssimos. Uma bicicleta que desceu em disparada grita lá embaixo. Um carro estacionando e uma rapasiada queimando um mais na frente improvisam. Alguém que não identifico me dá bom dia num tom misto de estranhesa preocupação e curiosidade. Uma meia dúzia de folhas tagarelas rastejantes alçam vôo e pousam sobre meus ombros e cabeça. E tome marteladas e lixa comendo solta mais adiante na casa do papagaio que está em silêncio esperando minha pergunta. Mudei a frase, ele calado. Repeti a nova frese e ele balançou oriçado. Mandei de novo o desafio e ele acertou a primeira nota. Uma topada leve e recebo apoio da mão quente seca trêmula cheirando cana. Abraçei e agradeci. Distante do louro continuo a tenteção e ele acerta quase tudo. A brincadeira tá esquentando. A mão trêmula desenrola sobre o jogo de ontem enquanto cumprimenta a vizinhança os animais e a vegetação. Parei no sol. No stereo tem água doce e salgada. Se abrir os olhos agora vou perder todo esse prazer de combinar realidade com invenção.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Cartas ao mundo - Final
A grande questão colocada por Sartre no cenário de “Os Dados”, para mim e que se encontra com a relação à distância de Simone com Algren é esta: somente pela existência que podemos verificar a possibilidade da realização concreta e efetiva de um amor.
Mas não era isso que defendia a comentarista; Marina Colassanti dizia que naquelas cartas, éramos então testemunhas de uma outra Simone: carinhosa, meiga e apaixonada, diferente da imagem austera, séria, sempre de tailler e cabelos presos como costumava ser vista em público. E que pelas expressões de amor que utilizava nas cartas, revelava quem era seu verdadeiro amor: Algren.
No entanto, o que pesava mais na vida de Simone era Sartre e tudo que essa relação entre os dois envolvia: os hábitos e costumes de sua pátria – a França, o círculo intelectual, a militância política em prol da emancipação feminina... enfim, refletindo todas essas coisas, acabei chegando à essa conclusão, que passou pelo exame da minha própria vida, pois eu alimentei grandes paixões que se sustentaram pela impossibilidade de concretização, mas os amores que vivi foi que me ensinaram o que é um relacionamento. As suspeitas de Simone estavam certas, pois a relação com Algren não resistiu, por inúmeros fatores que o exame de suas correspondências podem revelar. As cartas de Algren para Simone estão, segundo informações, num Museu ou Biblioteca nos E.U.A, protegidos pelos agentes do escritor, podendo ser apenas consultadas.
No final das contas, fico achando que Simone amou Sartre porque de fato viveu ao seu lado, relacionamento este que não se resumia ao amor romântico e idealizado do “além”, mas ao amor possível dentro de um mundo possível, de acordo com a idéia de “Os Dados”.
Bom, o que era pra ser uma mensagem acabou virando uma carta. Mas eu queria dividir com vocês essa minha “viagem” que aconteceu por acaso..
Conclusão
Creio que o amor possível é o amor que escolhemos, que decidimos tê-lo no nosso viver cotidiano, seja ele romântico ou de afinidades intelectuais, ou outra categoria qualquer. O que interessa, realmente, é o fato de decidir que é aquilo que quero presente no meu viver cotidiano, não um sonho, uma quimera, uma utopia, mas o de fato, o concreto. E isto se dá por nosso próprio desejo. Abrir mão de uma situação por outra, é decidir que você quer uma outra coisa no lugar daquela, é desejar e concretizar o desejo. De certa forma, acho que Simone nunca esteve disposta a viver este amor com Algren, pois já havia decidido, de antemão, que Sartre jamais sairia de sua vida.
Na peça "Os Dados...", vale lembrar que Sartre, no seu texto, decide que ambos fracassariam no amor, amor que talvez ele mesmo não acreditasse, não enquanto filósofo, mas enquanto pessoa, enquanto existência. Creio também que Simone, exatamente por vê-lo concretamente como impossível, em função da sua ligação com Sartre e da qual ela jamais abriria mão, ele se tornava para ela algo a ser buscado, alcançado, mas somente idealmente - como possibilidade de viver um sonho. Sua disposição para transformar esse amor numa escolha, escolha essa que surge como mares divididos entre um antes e um depois, nunca existiu, pois ela, provavelmente, iniciou seu laço amoroso com Algren já tendo a certeza de que jamais abriria mão de Sartre.
Ao trecho da carta já citada de Simone, abaixo contraponho uma carta de Nelson Algren, extraída do livro “Todos os Homens são mortais” de Simone de Beauvoir:
“Acredito que conseguiremos, mas não será fácil. Nelson eu o amo, mas será que mereço seu amor, já que não lhe dou a minha vida? Eu tentei lhe explicar porque não posso dá-la. Você compreende? Não guarda ressentimentos? Não guardará nunca? Você acreditará sempre, apesar disso, que é realmente amor o que sinto por você? Talvez não devesse levantar estas questões, me faz mal exprimi-las tão brutalmente. Mas, mesmo assim, não posso evitar, é a mim mesma que coloco essas questões.." (Simone de Beauvoir)
"Podemos conservar sentimentos por alguém, mas não mais aceitar que eles comandem e transtornem toda a nossa existência. Amar uma mulher que não nos pertence, que faz com que as outras coisas e outras pessoas passem na nossa frente, sem nunca nos colocar em primeiro lugar, não é aceitável. Não lamento nenhum dos momentos que tivemos juntos. Mas desejo agora um outro tipo de vida, com uma mulher e uma casa minhas... A decepção que senti há três anos, quando comecei a perceber que sua vida pertencia a Paris e a Sartre, agora está velha e embaçada. O que tentei fazer depois foi retomar a minha vida de você. Tenho muito apreço pela minha vida, não me agrada que ela pertença a uma pessoa tão distante, alguém que vejo apenas algumas semanas por ano..." (Nelson Algren)
Quem foi Simone de Beauvoir? Sua essência de mulher romântica, devota e apaixonada ou sua existência enquanto intelectual engajada com as questões de sua época? Quem ela amava de fato? Sartre ou Algren? A análise de sua personalidade a partir das cartas revela uma espécie de contradição com os ideais que ela defendia ao lado de Sartre. No entanto, não se trata de uma resposta simples.
Considerando os pressupostos do existencialismo, a “verdadeira” mulher era aquela que era revelada por sua existência concreta, cotidiana. Essa imagem cotidiana era aquela que tínhamos conhecimento pela sua trajetória intelectual ao lado de Sartre. O livro “Um amor transatlântico” é composto por 304 cartas enviadas pela escritora francesa entre 1947, ano em que foi apresentada ao colega americano Nelson Algren por uma amiga comum, até 1964, quando foi deixada por ele. Estas são testemunhas de uma intensa e duradoura paixão, ainda que platônica.
O romance emblemático “Os dados estão lançados” e sua fascinante narrativa de um casal que se apaixona no além-vida e tem 24 horas para viver esse amor, mas fracassa por conta das escolhas aparece para Simone como um fator que causa incômodo. Incomodo porque ela se reconhece nessa estória. Ela de alguma forma intuiu que aquilo dizia respeito a ela, quando expressou “É comovente e me faz pensar em você e em mim. Nós nos amamos através de lembranças e esperanças, através das distâncias e das cartas. Conseguiremos fazer deste amor um sentimento humano, vivo e feliz? É preciso.” Como diz a famosa expressão de Oscar Wilde “a vida imita a arte”, nossa personagem fracassou no amor impossível, mas foi bem sucedida no seu projeto de vida ao lado de Sartre. Existir é igualmente, estar situado em um ponto do tempo e do espaço. E o amor também é colocado à prova por essa mesma razão pelo existencialismo.
Cartas ao mundo 3.a parte
Será que o amor de Simone por Algren sobreviveria enquanto existência? Acho que não.
A relação de Simone com Sartre sempre foi e continua sendo, até pela comemoração do centenário de nascimento, objeto de discussão no meio literário e não deixou de chamar a atenção de alguns presentes no evento. Teve um senhor que se levantou protestando enquanto Marina comentava essa primeira carta, “vocês não entendem nada, eles tinham uma relação aberta!” Indo embora enfurecido. É verdade que o casal existencialista vivia uma relação aberta e que as cartas chegam a mencionar uma amizade entre Sartre e Algren. Tudo indica que Sartre sabia da relação de Simone com Algren, mas que isso não o afetava. Uma senhora presente no evento chegou a recordar uma história engraçada contada na Academia Brasileira de Letras, sobre a visita de Sartre e Simone ao Brasil, quando foram recepcionados por Jorge Amado e Zélia Gatai. A senhora dizia que enquanto os dois casais estavam hospedados num mesmo hotel, em apartamentos separados, mas próximos, era impossível dormir por conta do barulho e da algazarra que Sartre fazia com Simone por toda a madrugada, que deixava Jorge e Zélia espantados. Ficava no ar se eles tinham uma vida sexual intensa ou sérias discussões que beiravam à agressão “entre quatro paredes”,
Enfim, chegamos num momento do debate onde já estávamos nos indagando se Simone e Sartre tinham ou não uma vida sexual (vejam só até onde viajamos!) Cheguei a ouvir um pouco atrás de mim uma expressão mais dura sobre os dois “um corno e uma piranha”. Do meu ponto de vista, acho que Simone revelava diferentes formas de amar: com Algren, Simone compartilhava um amor do tipo “eros", mais relacionado à atração física e paixão. Com Sartre, o do tipo “estorge” (baseado na amizade e nos princípios). Mas é fato que Simone dedicou a Sartre toda uma vida e sustentou uma reputação à sombra desse intelectual consagrado. (e eu me lembro bem de uma senhora que se levantou quase da última fileira para dizer isso, peitando a Marina Colasanti)
A essa altura do campeonato, ficou claro pra mim que Marina Colasanti defendia a Simone que aparecia nas cartas. Ela dizia algo do tipo “é um testemunho escrito” é preto no branco e a verdadeira mulher estava naquelas longas linhas de um amor repleto de ternas expressões de carinho e afeto. Isso me incomodou, afinal de contas Simone sabia que vivia uma grande contradição, se questionava sobre isso e temia ser cobrada por Algren exatamente aí, segue mais um trecho
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Vantagens de ser Vintage
Hoje acordei pontualmente às seis horas, liguei o rádio do banheiro e escutei, sem querer saber, a diferença entre retrô e vintage.. deveras muito interessante. Diferenças à parte eu prefiro ser clássico.. hehe.. na realidade são muito poucas as diferenças entre esses três. Retrô é quando você faz uma referência ao passado e vintage é quando você veste o passado! Mas como assim.. par example: adoro comer Mc batatinhas felizes quando compro o Mc Lanche só por causa do brinquedo.. eu diria sobre isso: " - ô meu vê se acorda cara, ou você não sabia que os brinquendos de Kung Fu Panda são para crianças maiores de 18 anos!". Voltando ao tema.. quis me referir à forma de comer batatas para tentar descrever a difícil e tênue diferença entre retrô e vintage, como quando você se esquece de lavar as mãos para para comer french fries: mas isso não é vintage nem retrô - isso é porcaria! Crássico então. Vamos lá! Há mais comparações: ouvir rádio assim que acorda é clássico.. ouvir Live and let die do Paul e achar que essa música pode te inspirar para o dia inteiro é vintage... chorar porque você não consegue dar um fim definitivo à sua vida tosca e frustrante é retrô. Verificamos então que esse jovem psicanalista não está regredindo àquelas fases primevas de tempos orais ao som de grandes tetas cheias de leite materno. Aliás um café com leite cairia muito bem agora.. bem, vamos ao outro caso: se você gosta da personagem de Don Juan, você é retrô.. se você age como Don Juanito, tú és clássico mas, se você pensa que é Don Juan, você só pode ser louco e deveras extremamente engraçado, no entanto isso é vintage.. porque hoje em dia, se Don Juan fosse mais que uma bela lêndia de piolhos, ele emprestaria seu único terno castor para que você dançasse muito que animado ao lado de uma belle de jour tricolor, de preferença ao som de Safety Dance do Men without hats.. aliás, faça da busca dessa canção algo em sua vida mais próximo do que é vintage: faça com que suas irmãs, tios, sobrinhos e até seu pai ache engraçado esta curiosa coreografia que afirma que para nós psicanalistas, achar o sujeito não é questão de achismo, como diria Pablo Picasso. Achar que este S de sujeito é muito importante, é a mesma coisa que você achar que anos de análise sem pagar irão funcionar... ou até que Riquinho Rich passe toda a sua fortuna para o terapeuta, até que o dinheiro para suas sessões sem sentido começem a fazer com que enriqueça, bem, é.. melhor mudar de assunto, não sei do que se trata.. vamos a um exemplo mais sexual então, mais apimentado por que não: se você fica nas preliminares, você é vintage.. se você a devora com os ólhucos, você é retrô.. mas se na hora H você dá aquela broxada você pode deixar a mulher com tanta raiva de você que esta irá começar a rir pra cacete dessa situação - exatamente porque ele não levantou - seria hilário.. hahaha.. e se a mulher se acha muito boazuda, você dirá: Bom, bom, bom, bom e não vai entender por que você riu dela, como se ela fosse uma comédia romântica muito mal feita.. só mais um, é pra acabar: se você vê que na telinha irá passar uma novela do passado sem ser no "Vale apena ver de novo", você é clássico.. se você assite a novela, você é retrô, se você quer ver os astros na TVE você é vintage.. mas se você utiliza todas essas desculpas para ouvir Roberta Flack cantando Zodiacs - você é mais do que feliz por ser vintage! O que deveras tem lá suas vantagens..
sábado, 9 de julho de 2011
na falta de santo, ainda bem
Desperto de um mundo que era mesmo o meu, pelo menos enquanto ele durou. Aprendo a esperar, esperar muito mais do que eu gostaria. Quando não há o que fazer, confesso, às veses me desespero, mas como tudo nessa vida finda, finda também meu desespero. O mundo começa a renascer dentro de mim. Maníacodepressivo para os menos criativos, sujeito a tempestade para os meteorologistas. Penso nas pessoas boas com as quais não mais convivo. Preciso de pequenos bonecos de pano delas, na minha memória, nos meus planos futuros. Eu preciso de um boneco de pano meu, pra me manter existindo quando eu sumo no nevoeiro. O amanhã às vezes fica tão vazio, que se torna apenas o depois do hoje, e mesmo assim ele é suficiente. Não sei como meu peito pode não se alargar, se é mesmo que não se alarga. Eu faço uma festa na minha cabeça, com convidados ilustres. Uma festa possível, mas distante. Todos estão vivos. preciso dizer pra ela que meus sonhos são amores possíveis e que não querem nenhuma outra mulher. Mas eu só digo que a amo, porque eu sei que isso ela entende. Eu penso com carinho em muitas pessoas. Eu deliro encontros perfeitos. O próximo ano sempre pode ser um ano melhor. Eu fico otimista, só me falta um lugar seguro para guardar isso, esse sentimento de que muita coisa boa é possível. No meu imaginário faltam santos e entidades superiores, mas não faltam seus efeitos. Ainda bem, pra não dizer amém.
sábado, 2 de julho de 2011
Cartas ao mundo 2.a parte
Sintonizando agora: Canal Zero.. rede Infinita
Viajei bastante pensando na história dos “Dados”, que aborda não só as idéias de escolha/ possibilidade e projeto na filosofia do Sartre, mas coloca em questão também o tema do amor, que foi o que incomodou a companheira inseparável do nosso amigo filósofo. Daí eu passei a me indagar, afinal de contas, quem foi o grande amor da vida de Simone? Sartre ou Algren? É o amor a soma de expectativas e “lembranças e esperanças” ou uma existência, repleta de obstáculos, conflitos e contradições? Isso me trouxe mais
uma luz para compreensão do cenário de “Os Dados”: são dois personagens que vivem realidades diferentes – um proletário, Pièrre e uma burguesa, Eva. Enquanto vivos, tinham em comum o mesmo locus social, mas jamais iriam reparar um no outro por pertencerem a diferentes classes. No entanto, a possibilidade de se encontrarem e se amarem estava no além, além-mundo – aquém da existência, da realidade concreta da vida, como mostra a história. A tragédia do assassinato, que para ambos esclareceu a verdade por trás dos
acontecimentos, abriu caminho para a sorte do amor, um novo possível.
Cada um já tinha dado suas cartas e feitos suas apostas – Eva pela fidelidade cega ao marido, Pièrre pela crença convicta do sucesso do golpe, eram projetos que estavam irremediavelmente perdidos.
Entretanto, tiveram uma chance para provar o valor desse amor, voltando à vida, à existência, mas o que falou mais alto não foi o amor, mas o projeto inacabado de cada um. Para Pierre, a revolução política, como possibilidade concreta de escrever uma história diferente para a classe dominada. Para Eva, o acerto de contas com seu marido, um homem sem escrúpulos capaz de assassiná-la para ficar com sua herança. Os dados foram lançados e Eva e Pièrre estavam lançados à sorte, sorte de escolherem o seu próprio destino: o do amor possível ou do acerto de contas com seus algozes.
Mas o que há de comum no cenário dos “Dados”, Sartre e o romance de Simone e Algren?
A começar pela idéia de um “amor impossível”, bem própria do romantismo, acredito que foi o que estimulou Simone todos esses anos e não é à toa que a história de Sartre (Os Dados estão lançados) a incomodava. Por mais que Simone se declarasse essencialmente apaixonada e viva para o amor de Algren, ela se achava em franca contradição, pois permanecia ao lado de Sartre, com quem compartilhava já de longa data pensamentos e ideais na cena francesa. Para amar Algren, Simone tinha que “voar” literalmente de avião, para bem longe – Chicago, E.U.A, para viver a possibilidade do impossível, de amar o
diferente, mas é claro que não podia deixar de refletir sobre tudo isso,
“Acredito que conseguiremos, mas não será fácil. Nelson eu o amo, mas será que mereço seu amor, já que não lhe dou a minha vida? Eu tentei lhe explicar porque não posso dá-la. Você compreende? Não guarda ressentimentos? Não guardará nunca? Você acreditará sempre, apesar disso, que é realmente amor o que sinto por você? Talvez não devesse levantar estas questões, me faz mal exprimi-las tão brutalmente. Mas,
mesmo assim, não posso evitar, é a mim mesma que coloco essas questões..”
Continua no próximo episódio In: Living in Oblivion...
Viajei bastante pensando na história dos “Dados”, que aborda não só as idéias de escolha/ possibilidade e projeto na filosofia do Sartre, mas coloca em questão também o tema do amor, que foi o que incomodou a companheira inseparável do nosso amigo filósofo. Daí eu passei a me indagar, afinal de contas, quem foi o grande amor da vida de Simone? Sartre ou Algren? É o amor a soma de expectativas e “lembranças e esperanças” ou uma existência, repleta de obstáculos, conflitos e contradições? Isso me trouxe mais
uma luz para compreensão do cenário de “Os Dados”: são dois personagens que vivem realidades diferentes – um proletário, Pièrre e uma burguesa, Eva. Enquanto vivos, tinham em comum o mesmo locus social, mas jamais iriam reparar um no outro por pertencerem a diferentes classes. No entanto, a possibilidade de se encontrarem e se amarem estava no além, além-mundo – aquém da existência, da realidade concreta da vida, como mostra a história. A tragédia do assassinato, que para ambos esclareceu a verdade por trás dos
acontecimentos, abriu caminho para a sorte do amor, um novo possível.
Cada um já tinha dado suas cartas e feitos suas apostas – Eva pela fidelidade cega ao marido, Pièrre pela crença convicta do sucesso do golpe, eram projetos que estavam irremediavelmente perdidos.
Entretanto, tiveram uma chance para provar o valor desse amor, voltando à vida, à existência, mas o que falou mais alto não foi o amor, mas o projeto inacabado de cada um. Para Pierre, a revolução política, como possibilidade concreta de escrever uma história diferente para a classe dominada. Para Eva, o acerto de contas com seu marido, um homem sem escrúpulos capaz de assassiná-la para ficar com sua herança. Os dados foram lançados e Eva e Pièrre estavam lançados à sorte, sorte de escolherem o seu próprio destino: o do amor possível ou do acerto de contas com seus algozes.
Mas o que há de comum no cenário dos “Dados”, Sartre e o romance de Simone e Algren?
A começar pela idéia de um “amor impossível”, bem própria do romantismo, acredito que foi o que estimulou Simone todos esses anos e não é à toa que a história de Sartre (Os Dados estão lançados) a incomodava. Por mais que Simone se declarasse essencialmente apaixonada e viva para o amor de Algren, ela se achava em franca contradição, pois permanecia ao lado de Sartre, com quem compartilhava já de longa data pensamentos e ideais na cena francesa. Para amar Algren, Simone tinha que “voar” literalmente de avião, para bem longe – Chicago, E.U.A, para viver a possibilidade do impossível, de amar o
diferente, mas é claro que não podia deixar de refletir sobre tudo isso,
“Acredito que conseguiremos, mas não será fácil. Nelson eu o amo, mas será que mereço seu amor, já que não lhe dou a minha vida? Eu tentei lhe explicar porque não posso dá-la. Você compreende? Não guarda ressentimentos? Não guardará nunca? Você acreditará sempre, apesar disso, que é realmente amor o que sinto por você? Talvez não devesse levantar estas questões, me faz mal exprimi-las tão brutalmente. Mas,
mesmo assim, não posso evitar, é a mim mesma que coloco essas questões..”
Continua no próximo episódio In: Living in Oblivion...
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Srta. Lispector.. avante conselheiros! Parte um de três
Se nossa última reunião do conselho tivesse algo com que ver com algum jogo de detetive, seria no mínimo bastante engraçada.. a começar pelo encontro inusitado de duas gatas suecas bastante entretidas como suas conversas a respeito do eixo Brazil - Suedden. Elas tentavam ser gentis com um tricolor e acabaram morrendo de rir com mais piadas fresquinhas.. Saga... er.. entendam - não tem nada com que ver com a vida de cães alcóolatras que passeiam pela noite escura próximos a Igreja de Nossa Sra. da Lapa do Desterro. Compreender o que se passava com esta dupla dinâmica foi deveras obscuro. A bicharada de fato aceitava o desafio para Jokerman e toda sua patota do Asilo Arkham. Aflita estava uma das suecas, que falava como se pudesse fazer a minha cueca se mexer sozinha, hehe. Se em nossa reunião aparecessem mais psicanalistas jovens, talvez Mr. Dias acordaria cedo na manhã de sexta.. mas voltando ao detetive, inicialmente tinhamos: 1) Prof. Black com a chave inglesa no Hall; 2)Cel. Mostarda com a corda no toalete e por último e não menos importante: Srta. Lispector, trajada com suas vestes de renda macia e perfumada e sem nenhuma pistola em sem quarto, que peninha! O mistério Pai-RÁ no quarto, enquanto ela se banhava com o mais vagabundo frasco de Leite de Rosas. Ocorre que venho farejando seu jeito desde o início da missão, por isso tenho que estimular minhas fossas nasais ao máximo para poder sentir o cheiro desta femeazinha cheia de volúpia.
Prólogo: parte um de três
Minhas investigações se iniciaram no ano de 2003, quando Srta. Lispector já era uma Croata e não tinha idéia que faria uma escala em Maceió somente três anos depois.. aguardem a continuação da incrivel saga: Srta. Lispector em: avante conselheiros..
quarta-feira, 29 de junho de 2011
das suspeitas confirmadas por lágrimas
Meu corpo sempre tem uma resposta pra tudo. Seja pela pereba que aparece no meu braço quando estou esquecendo que às vezes eu mesmo me contrario, seja pelas dores nas costas que me dizem que eu não estou tão tranquilo assim. Meu corpo é um cachorro, ou uma criança, diz sem dizer. Descobri isso ontem à noite, antes de dormir. Nem atleta nem intelectual, brinco de ser os dois de vez em quando. Ontem brinquei de ser atleta. Corri um pouquinho num parque perto de casa. Cheguei satisfeito, como quase sempre me sinto depois de botar o corpo pra pensar. Tomei um banho frio e comi uma sopa decente, de feijão com legumes. Minha cabeça muitas vezes é uma governanta muitíssimo filha da puta. Digo isso porque seus excessos de autoritarismo pedante me esgotam, me criam uma penca de problemas que não tem qualquer pé na vida prática, mas por consequência acabam por a comprometer decisivamente. Mas como todo tirano tem seu rabo preso, decidi investigar os pontos fracos da moral judiciosa de minha cabeça em seus episódios mais superegóicos. Muito bem, nem foi preciso tanto esforço assim. Flagrei-a logo de cara inventando sonhos ridículamente impossíveis, de todas as sortes, onde eu seria o grande realizador de um grande feito e pelo mundo inteiro seria reconhecido por isso, com isso eu viveria cercado de glórias, confetes e tudo mais que fosse expressão da reafirmação de minhas virtudes. Pois bem, sabendo, como qualquer mané que tenha passado um tempo mínimo entre os mortais presentes sobre esse planeta, que ninguém é isso, parei e lhe fiz a acusação com o dedo em riste. Minha consciência, agora posta contra si própria e em minoria, já que meu corpo respaldava a iniciativa, silenciou. Continuei e disse a ela que agora tudo era claro, toda sua argumentação elaboradíssima e sem nenhum fundamento afetivo não era outra coisa senão a pura expressão de suas limitações, e que seu erro foi ter tentado me convencer por tanto tempo de que era ela a dona da bendita razão, e que tudo mais era falacioso, incompleto, fajuto ou bruto. Me contive por um minuto ao notar o improvável, talvez até então impossível de se imaginar. Em seu rosto normalmente arguto e preciso, algo emergia sem precedentes, algo que ali nunca havia se manifestado antes. Uma lágrima. Minha consciência moral chorava. Eu parei, olhei fundo nos seus olhos e também chorei. Nos abraçamos até que ela retornasse ao meu peito, se fundindo novamente a mim. Mas antes que a simbiose se completasse, dei-lhe minhas últimas palavras, desta vez de modo sereno, como um pai que aconselha um filho redimido. Disse-lhe assim, de hoje em diante, nunca mais quero ver você andando sozinha.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Devolva-me esta vida de cachorro...
É duro notar-se tal como um animal afastado de toda animalidade do mundo humano.. O mundo humano, do qual conhecemos os mortais que caminham pela rua, reivindica-a - sua humanidade há muito tempo. Digo isso porque fazia tempo que não conseguia assistir Lasse Hallström e chorar.. Mas tudo graças a Mister Barroso. Este amigo que falo é daquele que posso contar nos dedos de uma mão e sabemos que um mamão não é fácil de digerir principalmente após o almoço.. Mister Barroso conseguiu uma grande coisa pela passagem do meu aniversário = somar amizade e lembrança com um único gesto, mesmo que não tenha sabido preencher corretamente os ítens de postagem, visto que quase tudo em sua vida é virtual e sua banda favorita é o Radiohead. Não que este cara tenha um rádio na cabeça - pode parecer até estranho dizer, mas ele sabe que na vida há uma série de andróides paranóicos que saem por ahí pregando sua peças, seja via Personal Computer ou seja via palavras mesmo. Mas voltando ao nosso personagem, Ingemar, este garoto genial que teve que comer o pão que o diabo amassou pode ficar feliz com relação à sua mãe. Esteja viva ou esteja morta, ela viverá sempre na lembrança dele e ele na lembrança dela. Mesmo distante, Mister Barroso consegue fazer coisas milagrosas com seu Pc, tirando sua síndrome de noel - a qual todos nós estamos sujeitos, mesmo aqueles mais fortes e mais corajosos, ele passa suas tardes bebendo mate natural ou se questiona sobre o modo como prepara o seu café, que como pude constatar na minha própria estória pessoal, trata-se do seguinte: temos que mexê-lo bem até que se dissolva todo o açúcar.. do contrário, muito do que se cristaliza no copo pode virar vidro: daí teremos um copo com uma base mais pesada, diferente de doses de Underberg das quais se tomava na Lapa, em outros tempos de nosso conselho. Quando todo nosso conselho decide se reunir numa quinta de inverno para falarmos nossas abobrinhas.. Mister Barroso talvez desconheça o final do filme de Hallström: apesar de ter o boxe como principal esporte sueco e o futebol carioca apenas como pano de fundo para os dramas vividos por Ingemar, Saga, sua jovem paquera, ao final de sua saga para se tornar uma menina pôde respirar aliviada naquele momento: Ingemar venceu... Ingemar venceu e sua estória, assim como aquelas que iremos contar para o conselho de quinta servem para nos alertar acerca dos vitoriosos: a vitória só acontece no final e filme que não acaba é filme que não termina.. está chegando a hora!
segunda-feira, 20 de junho de 2011
o palco
Dentro de mim uma farsa sempre se ensaia. Em relação a isso eu posso muito pouco, quase nada. Elas são sazonais e muitas vezes nunca se realizam de fato. Nelas eu me desdobro em vários personagens, todos encenados de coração, ao menos nos ensaios. Há muito me debato com isso. Quantas vezes já tentei achar um prumo, um caminho único que me resguardasse de toda essa deriva à qual quase sempre me encontro submetido. Desisti. Aceitei que minha alma é um palco, onde se encenam, todos os dias, tanto espetáculos inéditos quanto reedições de sucessos passados. Forjado a marteladas de solidão, típicas da infância de um filho único que nunca foi proíbido de sonhar o que quer que fosse, esse teatro é um monumento colossal. Nele o clássico e o popular não disputam espaço. A rigor, não há qualquer disputa possível de espaço ou tempo, porque nele cabe tudo, tudo ao mesmo tempo. E apesar do incômodo que possa causar todo esse ecleticismo, esse é meu teatro, minha alma. E aprendi, com algum custo, que quando se negocia francamente com a própria alma, ou acabamos por ceder a todos os seus termos, ou vivemos eternamente desapropriados daquilo que é nosso por destino, que outra coisa nunca será.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Vivendo no abandono..
Sinto-me especialmente abandonado pelos meus ex-amigos - digo ex-amigos porque você só reconhece seus amigos nos piores momentos de sua vida. Esses vagabundos-topetudos-metidos e bestas posso contar nos dedos da mão esquerda porque os amigos posso contar nos dedos da direita. Enquanto mantenho meus dedos fechados na mão esquerda, tenho vontade de dar um murro na janela da minha casa e com a mão sanguilonenta verificar que estes merecem um banho de sangue. Do meu sangue puro O-, do qual posso doar para qualquer indivíduo, menos pra eles. O fator RH, neste caso, não tem nada a ver com qualquer recurso humano que poderia lançar mão neste momento. A metáfora do punho fechado manchado de sangue deve servir como lembrete: após a devida cicatrização poderei estender esta mão esquerda para o próximo amigo que não escolherei. Ou nas palavras do poetinha: amigo reconhecido..
só mais uma
Nos encontramos na casa de um amigo que não via há algum tempo. Chegando lá fui inicialmente recepcionado pelo latido dos cachorros que nem cheguei a ver, pois foram trancados no quarto. Na sala, dois jogando videogame, dois à toa. Cumprimentei-os e me sentei à mesa. O videogame parecia que era uma coisa passageira, mas logo percebi anlguns traços característicos dos viciados. Quando dei por mim, estava aguardando, simplesmente esperando acabar a veneração frente àquela enorme televisão de Lcd. O tempo foi passando e nada mudou, a não ser o insignificante fato de que um dos que jogava ter ido embora, enquanto outro que estava à toa tomava seu lugar. Ficamos eu e o outro amigo deslocado a esperar. Ele tomava cerveja, eu, conhaque e mate, minha garganta não me permitira o gelado naquela noite. Algumas poucas horas passaram ao som de tiros e cheiro de cachorro, quando finalmente decidimos, eu e meu outro amigo deslocado, ir embora. A despedida apressada, típica de quem está ocupado com algo realmente importante, mesmo sem estar, conclui minha visita ao saudoso amigo. Andamos de volta para nossos destinos, eu e o amigo anteriormente deslocado, pelas ruas frias e desertas de copacabana. Eu, que não moro mais na cidade, tive então o que valeu a pena na noite. Redescobri que a cidade é meu vício, e que diferente do jogo de videogame, nunca deixa ninguém de fora.
terça-feira, 14 de junho de 2011
salve inaugural
é porque a gente precisa se convocar, se fazer valer desse negócio chamado liberdade, pra poder fazer essa vida valer alguma coisa. não dá pra ver todo mundo descendo pelo ralo, tragado pelas forças mesquinhas e insípidas de uma vida banal, cheia de obrigações sem sentido nenhum para os nossos corações. é por isso que a gente se reúne, pra poder dizer no dia seguinte que ontem foi bom pra caralho e não ter como explicar o porquê pra quem não esteve lá. e a gente tenta inventar outros jeitos de estar juntos, porque a distância é fato e não é mole, não. a gente não quer deixar correr solto, deixar a vida levar, porque a gente sabe que a vida leva, leva tudo que é bom que a gente esquece de cultivar. a gente cultiva a amizade. o mundo tá aí, querendo transformar cada um em um net, com seiscentos canais, internet de um tera e o caralho a quatro, sozinhos, sendo nets. a gente não, a gente quer outra coisa, a gente quer a rua, o sereno, a risada, a discussão. às vezes, a coisa complica tanto que a gente esquece que é isso que a gente quer. então a gente inventa um jeito de lembrar. de lembrar do outro, de lembrar um ao outro do que a gente quer. e aí a gente chega aqui, mais um lugar pra gente fazer, mais um lugar pra gente se encontrar. o que tem de melhor na gente, só o outro pode despertar. sindrômicos de noel, salvem.
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